Classificação: 3.8 (0 - 5)
Eu acho que ainda não comentei como o ano de 2007 foi fraco para filmes, pelo menos no meu entender. Um ano que teve filmes como Transformers (absurdamente ridículo), Motoqueiro Fantasma (desprezível), O Vidente (pelo amor de Deus!), Homem Aranha 3 (SOCORRO!!!) só poderia fechar um com filme medíocre (mesmo que visualmente bonito). Infelizmente, é a isso que se resume o filme tão aguardado de Kidman e Craig (os dois atores que carregam a produção nas costas e levaram fãs ao cinema para verem-nos durante poucos minutos).
Concordo que adaptar-se uma obra literária para o cinema não é nada fácil. Tivemos alguns filmes estupendos adaptados de livros (como O Poderoso Chefão ou a Saga do Anel, para mim as duas melhores adaptações), mas hoje há uma febre de "vamos adaptar tudo que tem por aí". Acho que isso se deve a uma crise nos roteiros de Hollywood, só pode. Porque, parem para analisar. Quantos filmes com roteiros originais tivemos esse ano? Particularmente, não lembro de nenhum. Mas, bom... A questão aqui não é essa, mas sim o quase desastre cinematográfico que é o filme de Weitz. Baseado na cultuada obra literária de mesmo nome de Philip Pullman, A Bússola de Ouro mostra-se irritantemente idiota e infantilóide.
No início até achei que o filme poderia se mostrar interessante. A história dos dimons (que são representações animais da alma das pessoas), do mistério e do perigo do "pó", da instituição maior que todos e que quer esconder a verdade (que no livro de Pulman é uma crítica clara à Igreja Católica, e que no filme, infelizmente, isso foi deixado de lado), tudo isso envolvendo criaturas fantásticas como bruxas, ursos que falam e lutam, e atores do quilate de Daniel Craig (Cassino Royale), Nicole Kidman (As Horas), Eva Green (Cassino Royale) e Ian McKellen (X-Men, dublando um urso), além de Cristopher Lee, que não tem como passar despercebido, por menor que seja a aparição dele. Mas, o filme é só isso. Promessas de que possa ser algo interessante.
Pouco depois da introdução interessante, somos jogados no que será uma constante durante as quase duas horas de filmes: eventos episódicos e quase que sem ligação entre eles, em uma correria sem tamanho de deixar qualquer Michael Bay preocupado de perder o posto de diretor de cenas sem nexo. A idiotice de alguns personagens beira o ridículo, e o ápice é quando vemos a protagonista (uma menina muito bonitinha, mas ruim demais da conta e me fez pensar que talvez Dakota Fanning não seja tão ruim assim quanto eu imaginava) dizer para um amiguinho dela uma frase linda como: "Há coisas que temos de fazer que devem ser feitas", sinceramente, eu só não me levantei da sala e saí porque as pessoas que estavam comigo não estão acostumadas com esse meu jeito, mas que eu xinguei por dentro, mais uma meia dúzia de palavrões juntos com os outros que eu já tinha internalizado, isso sim!
Juntando-se ao roteiro pobre, mal escrito e internamente ligado, temos os atores principais simplesmente subaproveitados. Craig, um ator estupendo e que ressucitou James Bond, aparece em três ou quatro cenas (acho que só três, mas não tenho certeza) e está completamente sumido. Ian McKellen está diminuido pelo personagem ao qual dubla, que se mostra até interessante, mas simplório para um ator de sua monta. Eva Green, tadinha. Tudo bem que não a considero isso tudo que dizem. Mas, bom... Ela tá sob os holofotes, e aí fazem o que fazem com ela? Lee aparece rapidamente e só quem é acostumado em vê-lo saca que é ele, os mais desatentos nem verão. A única que aparece um pouco mais é Nicole Kidman, mas... Sinceramente, Sra. Coutler é uma personagem que não ajuda nada. Kidman até tenta ajudar um pouco e vê-la em cena até deixa as coisas menos piores, mas mesmo assim o personagem é muito mal escrito.
Já tecnicamente, chegamos à única coisa que vale a pena no filme. Sem dúvida, tudo ali foi pensado em se tirar o máximo possível da capacidade de efeitos especiais existentes hoje em dia. E consegue. O urso convence sendo de verdade, os efeitos especiais na luta em que milhares de dimons se transformam em pó também são muito bons. A revoada de bruxas é maquinífica, e o dirigível e suas turbinas, de bater palmas. A montagem também é ótima, assim como os efeitos sonoros, exatos e na medida certa. Só a trilha sonora que peca, não conseguindo nos colocar dentro da aventura (mas acho que ela é atrapalhada e muito pela incompetência do roteiro em fazer isso).
A Bússola de Ouro fecha o ano de 2007 no cinema como ele foi durante o ano inteiro. Blockbuster ridículos, de roteiros mal desenvolvidos e com atuações medíocres.
Adolfo Brás Sunderhus Filho
12 de janeiro de 2008
Classificação: 5 (0 - 5)
Eu sempre fui um apaixonado por animações que trazem como mote principal um drama acertamente temperado com comédia, ou uma comédia acertadamente temperada com drama, como queiram. Rei Leão para mim é um dos melhores desenhos animados já feitos. Ao lado dele coloco Príncipe do Egito, um excelente trabalho, pra mim o melhor desenho "não-Disney" já feito. Depois outros desenhos maravilhosos foram feitos também, mas não com o mesmo nível de qualidade que esses dois. Tivemos os muito bons Toy Story e Toy Story II, Monstros S.A., Procurando Nemo e Os Incríveis, pra citar só alguns. Agora, parem pra olhar esses últimos desenhos que eu citei. Todos animações de computador e todos da Pixar. Essa produtora vem se mostrando uma máquina de fazer excelentes filmes, pq o que eles fazem não podem ser chamados simplesmente de desenhos, são antes de tudo filmes, e muito melhores do que alguns que estão por aí sendo dirigidos por diretores renomados e com atores que recebem um cachê elevadíssimo. E, ontem, eu tive o prazer de assistir o que para mim é o melhor deles e o qual eu coloco ao lado de Rei Leão e Príncipe do Egito, que é Ratatouille.
A história é simples: Alguém que nunca imaginaríamos que fosse ser capaz de fazer algo simplesmente se mostra com um instinto incrível para aquela função. É simples se não fossem dois detalhes: 1º - A função é a de um chef de cozinha. Tá, tudo bem. Sem problemas. O segundo detalhe é: O chef de cozinha nato é um... rato. Isso mesmo, um ratinho azulzinho, felpudinho, cinza azulado e que adoro fazer experiências na cozinha. Então... Simples? É por aí que se desenrola todo o filme de Brad Bird (autor do já citado Os Incríveis), que se mostra de uma complexidade que só nos faz imaginar que a criatividade de Bird é realmente infinita. Toda a estrutura e a forma como ele pensa o relacionamento entre os ratos, os relacionamentos entre os humanos e do humano com o rato em questão, Remy. E a forma como ele mostra magnificamente Paris, que mais do que um ambiente no qual se passa o filme, se mostra um verdadeiro personagem, com sua feição sempre incrível e bela.
E por falar em beleza, incrível a qualidade do que vemos em tela. Realmente, a cada ano que passa a qualidade da animação da Pixar só impressiona mais e mais. Não é igual Shrek, que parou no tempo e não inova em nada. A Pixar traz sempre algo novo, um detalhezinho a mais que simplesmente enche os olhos. E vermos personagens humanos que não foram captados pelo limitado motion-picture, que me perdoem os que amam essa tecnologia, mas o que vi em Beowulf foi simplesmente vergonhoso. Os personagens humanos aqui são humanos em seus sentimentos, mas não deixam de ser claras animações, e os ratos são sentimentalmente humanos, mas mesmo assim continuam ratos (e fiquei impressionadíssimo ao ver que Bird não caiu na besteira de colocar o humano conversando com o rato... Sim, eles de certa forma se entendem, por sinais e tal, mas não se falam... E numa hora Bird praticamente deixa claro que não conseguimos ouvir o que os ratos falam devido ao fato de serem seres diminutos, o que faz com quem suas vozes pareçam apenas suspiros e chiados, pra mim o melhor detalhe do filme). E, terminando de falar em beleza, que trilha sonora é essa que temos hein... Nossa...
E os personagens são de uma qualidade à parte. Remy, o "mini-chef", se mostra um ratinho bem chato no que diz respeito a comida, daqueles que criticam, que enchem a paciência por isso ou aquilo (até lembrei de mim mesmo, mas aí quando falo de filmes... hehe). Linguini, o desastrado típico e sonso até onde deu e parou é ótimo, assim como Emile, uma mulher frágil e ao mesmo tempo durona. E quando ela apresenta os demais que fazem parte da cozinha, hilário. E por aí vai... Realmente, não é preguiça, é que simplesmente todos os personagens são ótimos.
Mas, agora, deixando o filme um pouquinho de lado, me pego a falar agora do mais novo projeto da Pixar, Wall E. Pouco foi falado sobre ele, mas o que já foi falado faz com que acreditamos e deixa a sensação de que será a obra-prima da animação. Ao que tudo indica, todo um primeiro ato desse desenho será mudo. Apenas sons, ruídos e expressões corporais teremos... Abaixo eu deixo o trailer tanto de Ratatouille e de Wall E.
Classificação: 4.3 (0 - 5)
Depois de um breve período de reclusão, retorno a me atrever a escrever comentários sobre alguns filmes que vi. Nesse intervalo de tempo em que estive distante vi e revi muitos e muitos filmes (e ainda retornei ao meu antigo vício dos seriados), mas não me senti com vontade de escrever meus comentários a respeito dos filmes que vi nesses últimos tempos. Contudo, faz pouco tempo comecei a sentir falta de fazer os comentários, pra ser mais exato, achei que deveria retornar ao Películas após assistir ao estupendo (mesmo que imperfeito) "300", de Zack Snyder. Mas, infelizmente, demorei para retonar e agora preciso rever ao filme dos espartanos para poder escrever com maior propriedade meus comentários a respeito dele. Mas, então, resolvi aproveitar a carona do grande "blockbuster" da franquia do "amigo da vizinhança" para retornar ao meu querido blog. Então, com vocês, meus comentários sobre Homem Aranha 3.
Confesso que nunca fui fã do cabeça de teia. Sempre achei suas histórias dotadas de um comicismo muito distante do que realmente poderia ser a história de um garoto órfão criado pelos tios, que foi picado por uma aranha radioativa (que nos filmes, acertadamente, foi mudada para uma aranha geneticamente modificada) e que, com isso, adquiriu poderes extraordinários (como o estupendo "sentido aranha") e sofreu o impacto da morte do seu tio, que era como um pai para ele... Tá certo que nos quadrinhos, "o tigrão" (como ele é amorosamente chamado por Mary Jane) tem uma densidade muito, mas muito, muito maior do que a apresentada nos filmes, o que as vezes me faz até achar interessante um ou outro arco de histórias do personagem. Contudo, nos filmes, não sei por culpa de quem, Peter Parker e Spider simplesmente não apresentam densidade ou profundidade alguma. O primeiro filme do Aranha não é lá muito interessante. Com efeitos visuais limitados, onde fica-se claro que o herói que pula de prédio em prédio nada mais é do que um boneco de CGI, temos a introdução do personagem e de um vilão que será a sombra do Aranha no primeiro, segundo e terceiro filmes, Duende Verde. Mas, o primeiro não passa de um bom filme de sessão da tarde (para terem uma idéia do quão profundo e complexo é o roteiro). Já o segundo filme, as coisas parecem bem melhores, mas aí o tanto que o filme tenta se levar a sério acaba tornando-o um tanto enfadonho (confesso que cheguei a cochilar durante o segundo na primeira vez que o vi)... Mas, ele traz um dos diálogos mais incríveis já feitos em um filme de herói, que o que Peter Parker tem com Tia May na cozinha da casa dela (de encher os olhos de qualquer fã de quadrinhos d'água). Junto com essa cena, somamos a atuação magistral de Alfred Molina no papel do Dr. Octopus e temos um vilão que realmente nos faz acreditar que o cabeça de teia corre risco de morte. Contudo, o filme peca por se levar a sério demais (e a única piada interessante do filme, a da cena do elevador, fica completamente perdida em meio a tanta seriedade e peso). E, agora, chegamos ao terceiro filme da franquia (e, aparentemente, o último que contará com todo o elenco e equipe que até agora estiveram presentes). E, a grande pergunta que fica é: O que aconteceu com o clima sério e soturno que havia se desenhado no segundo filme e que tinha tudo para dar certo se fosse desenvolvido no terceiro?... Sinceramente, me pergunto até agora o que aconteceu com Raimi nesse terceiro filme.
Não que seja diretor estupendo, longe disso, mas Raimi sempre deixou bem claro ao longo dos dois primeiros filmes do Aranha que o que prevalecia ali era a sua visão do personagem, eram suas idéias e seu respeito como "nerd" de quadrinhos. Porém, nesse terceiro, ele cedeu à pressão, tentou consertar o desastre que ele já previa que seria e não conseguiu contornar a situação. Sempre houve uma grande pressão por parte de Arad (produtor da franquia) para que Venom fosse inserido em algum filme do Aranha. Ele já o queria no segundo filme, mas Raimi bateu o pé e falou que Octupus era de extrema importância para o desenvolvimento psicológico de Peter (como realmente se mostrou no segundo filme, mas depois parece que Parker esqueceu-se completamente de seu algoz da segunda aventura). outra coisa, Raimi sempre foi terminantemente contrário a introdução de Venom na franquia cinematográfica, pois considerava-o sem conteúdo e densidade suficientes para que o mesmo tivesse alguma função interessante dentro dos filmes. De certa forma, não deixo de concordar com ele, principalmente depois de ver o quão mal desenvolvido ficou esse terceiro filme devido a presença do ser simbionte. Mas, já viu, né? O produtor, o cara que coloca o dinheiro no filme, fez aquela pressão, virou e disse: "Coloca o venom que eu te dou 250 milhões pra fazer esse filme". Aí, já viu... Deu no que deu...
Começando sua história com Peter Parker as voltas com a vontade de pedir M.J. em casamento e lidando muito mal com a excessiva popularidade do Aranha, fazendo com que ele se ache o centro do universo e sempre diminuindo os sentimentos de M.J., ao compará-los com os dele como Aranha, vemos uma faceta até interessante (pena que tenha sido desenvolvida tão profundamente quanto um píres) de Peter: "Ele é tão gente boa, tão bonzinho, tão... que chega a ser babaca demais e numa falsa humildade mostra-se pedante e ridiculamente "Johnny Bravo". Tia May, antes personagem extremamente importante para o desenvolvimento de nosso herói, agora é jogada à quadragéssimo plano, parecendo um mero objeto de decoração em cena e apenas numa raríssima cena ela nos lembra a May dos filmes anteriores (e, até parece estar falando nas entrelinhas: "Não sou apenas uma velhinha simpática, tenho cérebro e coração também!"). Juntando-se a esse contexto de "eu sou o máximo" de Peter Parker e de conseqüente "deixar M.J." em segundo plano, surge um loira (um espécime raríssimo de loira inteligente - desculpem-me, a piada foi inevitável! hehehe) belíssima que tem uma queda enorme por Parker e pelo Aranha, temos o retorno do Duende Verde, e Peter ainda descobre que quem ele pensava ser o assassino de seu tio, na verdade era apenas um comparsa do verdadeiro assassino. Pronto, o ódio, vaidade e arrogância está delineado, aí entra Venom!
Primeiro, não há explicação para o aparecimento de Venom. Não que isso seja ruim, muito pelo contrário, faz com que não se perca tempo com desenvolvimento de mais uma história paralela. Contudo, fico me perguntando se não seria mais interessante ter desenvolvido a história do simbionte do que desenvolver a história da filhinha doente do Homem-Areia. E, por falar nele. Putz! É incrível o que 250 milhões de dólares de orçamento podem nos proporcionar em matéria de efeitos visuais. São, sem dúvida alguma, de primeira todos os efeitos especiais que temos nesse filme (exceto o Venom, que ficou parecendo um daqueles bonequinhos de borracha que temos quando ainda somos crianças). Mas, se paramos para ver o Aranha "voando" de prédio em prédio, ou então o Duende em sua nova prancha, ou então o Homem Areia (que passa por um processo de transformação simplesmente assustador e visualmente incrível) até chegamos a esquecer o fraquíssimo roteiro (sinceramente, a fidelidade entre amigos e o se deixar levar pela vaidade foi muito melhor elaborado em desenhos como "Cavaleiros do Zodíaco" ou "Super Shock"). E, acho que a intenção de Raimi foi justamente mascarar o roteiro fraco com os efeitos visuais estonteantes. Mas, sinceramente, não tem como esconder um Parker que anda como John Travolta em "Embalos de Sábado a Noite", dança como "O Máskara" ou usa uma franjinha estilo emo quando está sobre influência de seu "lado negro". Mais tosco impossível!
Mas, o filme não é apenas roteiro mal desenvolvido, personagens rasos ou franjinhas (além da cara inchada de Tobey Maguire, um tanto "gordinho" para interpretar Aranha). Temos coisas boas, mesmo que não sejam grandes méritos, como a incrível cena de luta entre Aranha e Homem Areia entre os trilhos do metrô, ou a cena belíssima em que Peter está numa igreja procurando o "perdão" e a "libertação" (tudo bem que é bem previsível um personagem buscar libertação em uma igreja, mas ficou legalzinho, além de proporcionar algo um tanto irônico também!). A batalho no final do filme, com Aranha sendo ajudado por um velho, e agora desfigurado, amigo foi também excelente e deixou claro onde Raimi resolveu investir todo o dinheiro que Arad usou para comprá-lo.
No computo geral, Homem Aranha 3 não é um filme ruim... Mas, está longe do segundo e até abaixo do primeiro. Sem dúvida, é uma excelente diversão (e até uma ótima comédia em alguns momentos). Vale o ingresso pela qualidade técnica, mas o roteiro e a forma como é desenvolvida a história faz com que saiamos do cinema um tanto incomodados por termos gastado uma pequena "fortuna" (dado os preços absurdos dos ingressos de cinema) para ver um filme que nada mais será do que um filminho que daqui há alguns anos será repetido a exaustão na "Sessão da Tarde".
Adolfo Brás Sunderhus Filho
Classificação: 2 (0 - 5)
Kurt Wimmer não é um cara conhecido de todos, não mesmo. Mas, ele não deixa de ser uma pessoa promissora dentro do mundo do cinema. Responsável pelo roteiro simples e eficaz de "O Novato" (com Al Pacino e Collin Farrel) e pelo roteiro e direção do subestimado "Equilibrium" (com Christian Bale), Wimmer nos impressiona com seu novo filme, Ultravioleta, já em seus créditos iniciais. Muito bem arquitetada, a abertura do filme mostrando capas de revistas em quadrinhos com a figura da personagem principal (Violet, encarnada por uma Milla Jovovich magérrima e sem vontade de usar seu pouquíssimo talento)em destaque. É uma pena, contudo, que o restante do filme não condiza com a abertura belíssima.
A história do filme se passa no futuro, com a Terra vivendo a realidade de ser dominada por um governo despótico e ameaçador (tema já utilizado por Wimmer no infinitamente superior "Equilibrium"). Nesse futuro, a Terra sofreu com uma epidemia de um vírus que transformou os infectados em vampiros. Isso mesmo, vampiros! São quase vampiros clássicos. Eles tem força e agilidade além do comum (como podemos notar pela série de absurdos que a personagem de Jovovich e outros vampiros são capazes de fazer), tem fobia a luz e precisam fazer transfusão de sangue constantemente para evitar sua morte. Nosso planeta, então, foi dividido entre vampiros e humanos, e uma verdadeira caça aos primeiros foi liderada pelo governo que tomou conta do planeta. Violet é membro de um grupo de vampiros que tentam derrubar o governo. Infiltrada, ela tem a missão de evitar que uma arma contra os vampiros chegue ao seu destino. Contudo, no decorrer de sua missão ela acaba descobrindo que essa arma não é bem uma arma e começa uma fuga alucinada para salvar sua própria vida e a vida de uma criança (Cameron Bright, de X-Men 3).
A história do filme até que é interessante (tirando o detalhe dos vampiros), e Wimmer já havia se mostrado capaz de lidar com tal enredo. Contudo, em Ultravioleta ele se perde em meio a exageros e absurdos. As cenas de "gun kata", antes interessantes em "Equilibrium" (mesmo que exageradas) atingem um cúmulo inaceitável. Mesmo que saibamos que vampiros são mais fortes e ágeis que humanos comuns, fica complexo aceitar alguns absurdos como desviar de balas como se fosse o Superman (só faltou a bala bater no olho de Violet e cair amassada no chão!). O uso exagerado de um equipamento que no filme faz com que a lei da gravidade simplesmente inexista pode até ser divertido no início, mas é uma diversão que beira o ridículo de tão absurda que é. E o clima absurdamente estilizado em todo o filme provoca, em alguns momentos (como a cena de "ninjas" guardando suas espadas em seqüência), risos e as cores fortes doem os olhos (tudo bem que todos estamos cansados de ver um futuro cinza e negro, mas com cores tão extravagantes também...?!?!).
Outro ponto negativo do filme diz respeito as atuações. Se em outros filmes com a mão de Wimmer tínhamos atores do calibre de Farrel, Pacino e Bale, aqui temos como atriz principal Milla Jovovich, atriz de uma capacidade de interpretação tão limitada quanto o seu peso. Falta em Jovovich competência para dar veracidade ao que Violet é capaz de fazer. Mas, não é apenas ela que está ruim. Todo o resto do elenco é de uma pasmaceira que chega a dar nervoso.
Para ajudar no diagnóstico de "perda total" do roteiro do filme, ainda somos apresentados a uma reviravolta final completamente absurda e ridícula, digna daquelas novelas mexicanas que passam no SBT. E pensar que o filme começou com créditos tão interessantes e promissores e terminou como um dos piores filmes que eu já vi.
Adolfo Brás Sunderhus Filho
02/01/2007
Classificação: 3,8 (0 - 5)
O presidente dos Estados Unidos da América sempre é uma figura explorada pelos cinemas. Exploram-se os escândalos, os bastidores do poder, as decisões que ficam sobre as coisas do homem que está presidente, a (in)segurança que o permeia, dentre outros diversos assuntos que um roteirista possa imaginar. O mais batido dele diz respeito a questão da segurança, e é justamente nesse assunto que se passa Sentinela.
Em seu elenco já vemos um que está bem familiarizado em defender a maior potência do mundo: Kiefer "Jack Bauer" Sutherland. Ator da consagrada (e um tanto super-estimada) série 24 Horas, Sutherland foi um daqueles atores que muitos apostaram que poderiam se tornar ótimos no cinema mas que, inesperadamente, sumiram do mapa. Reapareceu com destaque em 24 Horas e ficou com a marca de agente do governo. Nesse filme, Sutherland faz o papel do melhor investigador do Serviço Secreto norte-americano. Como todo bom filme desse tipo, não podiam deixar de existir os clichês. Ao lado de Kiefer temos Eva Longoria (absolutamente linda, e apenas por isso que ela está no filme, afinal de contas, um rosto feminino perfeito sempre é bem vindo num filme lotado de homens). Eva faz a típica novata que sempre quis trabalhar com o melhor. Outro clichê, temos o personagem que é o verdadeiro "mito" no Serviço Secreto, esse vivido por Michael Douglas (que envelhece a olhos vistos). E, como coadjuvante de luxo temos Kim Bassinger, fazendo a primeira-dama (e pensar que Bassinger já fez L.A. - Cidade Proibida... coitada!).
A história do filme gira em torno de uma conspiração contra a vida do presidente dos Estados Unidos, conspiração essa que tudo leva a crer que foi arquitetada por alguém de dentro do Serviço Secreto Norte-Americano, também conhecido como "A Última Linha de Defesa". O desenvolvimento do roteiro é simplesmente pífio. Temos desde suspeitos de envolvimento com o narco-tráfico até pessoas envolvidas com ex-agentes da KGB (mais previsível impossível). Apela-se a todos os clichês, inclusive o do casamento do presidente estar nitidamente em decadência e a primeira-dama ter um amante diretamente ligado ao presidente. Nenhum dos personagens existentes é devidamente aprofundado. Os interesses são pífios, a profundidade é tão grande quanto a de um pires, e a história se arrasta até que num clima bacana de conspiração, mas infelizmente pouco convincente devido aos motivadores um tanto infundados do personagens (e, sinceramente, não foi dito em momento algum o que levou ao conspirador a se virar contra a sua própria corporação).
No que diz respeito a parte técnica do filme, tudo parece ter sido feito da forma mais displicente e preguiçosa possível. Detalhes básicos como a maquiagem extremamente mal feita em Bassinger, Longoria ou Douglas. Não há uma preocupação com a montagem de cenários, nem tentativas de se fugir do óbvio (tudo bem que isso pode até ser um ponto a favor, uma vez que aproxima de uma possível realidade). Mas, outros detalhes como a trilha sonora, completamente desligada do filme, sem inovar ou criar um clima mais próximo do esperado para um filme de conspiração. A única parte que tenta trazer algo interessante (mesmo que não muito inovador) é a montagem, mas mesmo assim são tão poucos esses momentos que acabam se perdendo dentro filme.
Com um elenco até interessante, Sentinela fica devendo um filme melhor trabalho e com um roteiro mais bem arquitetado. Faltou saber fazer uso dos clichês utilizados e do pulso mais forte do diretor (mas, mesmo assim, a premissa fraquíssima não ajuda para que o filme engate de forma interessante, afinal de contas, o presidente dos EUA e conspirações contra ele já cansaram faz tempo!).
Adolfo Brás Sunderhus Filho
30/12/2006
Classificação: 4,8 (0 - 5)
Agentes secretos, de espiões e investigações estão na moda há algum tempo. "Missão Impossível", "Identidade Bourne" são exemplos recentes que temos no cinema e, na televisão, temos "24 Horas", "CSI", "Alias", entre outros. Todos esse filmes bebem em uma fonte muito conhecida, a do agente britânico 007. Personagem com mais de quarenta anos de idade, James Bond tem uma franquia de duas dezenas de filmes e já foi interpretado por diversos atores (sendo Sean Connery considerado, por muitos, como o melhor de todos os James Bonds). Contudo, os filmes do agente britânico sempre foram um tanto quanto exagerados. De vilões que quebram os cabos do bondinho do Pão de Açúcar nos dentes, a carros invisíveis, todos os absurdos imagináveis já foram pensados (até hoje não sei como o roteirista não teve a idéia de fazer de Bond um "Neo" britânico e não o colocou para parar balas com a "força do pensamento"). Os dois últimos filmes então, foram de um exagero sem tamanho (foi no último que tivemos o famigerado carro invisível e, se não bastasse, um Bond "surfista"). Somando-se a esses absurdos ainda há a vontade de crescente por parte dos fãs de filmes de ação de verem seus heróis com os pés mais próximos da realidade. Com isso, via-se a necessidade de repensar a série de Bond por completo. Para tal, foi utilizado um recurso esperado e que fez sucesso com o "homem-morcego" recentemente: um reinício!
Cassino Royale, 21º filme da franquia trás para nós, justamente, a primeira missão de 007. Aqui Bond tem em torno de 35 anos e acabou de receber a "permissão para matar". E, para nossa surpresa, Bond, nesse filme, passa longe do gentleman que vimos nos filmes de Connery, ou do engraçadinho de Pierce Brosnan, ou do cínico-cômico de Roger Moore (os três Bonds mais lembrados, mas também encarnaram o agente George Lazenby e Timothy Dalton). E agora, quem encarna esse Bond em início de carreira é Daniel Craig ("Munique" e "Camisa de Força"). Ator britânico tarimbadíssimo no teatro, Craig não foi uma escolha que agradou aos puristas (e, confesso, eu também tinha minhas restrições quanto a escolha dele). Dono de uma beleza um tanto diferente e loiro, Craig não lembrava nem um pouco a imagem que nos foi passada durante quarenta anos de quem é James Bond. Mas, o que vemos em cena é algo completamente incrível. Vemos um Bond frio, um tanto impulsivo, um tanto psicótico, mas com todo o charme, todo o cinismo britânico que podemos esperar e vemos que Craig nasceu para interpretá-lo. Daniel exala virilidade a cada cena, a cada fala. Seu tom irônico é simplesmente absurdo, o ego de Bond está mais inflado do que nunca (chegando inclusive a fazer com que James tenha de esperar um segundo elevador para ir para seu quarto). A intensidade de Daniel Craig ao interpretar o personagem é mais do clara a cada cena, a cada luta, a cada fala, a cada olhar. E, se não bastasse, não é apenas o ator principal que está bem, os coadjuvantes fazem suas participações acertadamente. Desde a "bond girl" (Vésper), interpretada pela sempre bela Eva Green, até o vilão (Le Chiffre) encarnado por Mads Mikkelsen, vemos atores empenhados em fazer com que seus personagens sejam, se não os melhores, os mais interessantes da franquia. Vésper mostra-se dona de uma inteligência proporcional a sua beleza (além de ter um tom irônico tão refinado quanto o de Bond). Le Chiffre mostra-se um vilão diferente. Longe de ser intimidador, na verdade ele é um completo covarde e sádico (sendo a cena dele com Bond sentado em uma cadeira uma das melhores do filme). E, lógicamente, não podemos deixar de falar da coadjuvante maior, Judi Dench, a Rainha Britânica do cinema. Diva do teatro, Dench é a imagem caricata e ao mesmo tempo fiel do que é um britânico. Arrogante e segura de si "M" é, ao lado de Bond, a melhor personagem de toda a franquia, com um passado interessantíssimo que, espero, um dia possamos ver nos cinemas.
Mas, Cassino não seria nada se não tivesse um bom roteiro para dar vida aos personagens. Feito pelos dois que destruíram Bond no último filme e revisado por Paul Haggins (responsável pelos roteiros de "Menina de Ouro" e "Crash"), vemos uma construção de personagens simplesmente estupenda. Mesmo que não se mostre o passado do personagens envolvidos no filme, vemos em suas ações, em seus olhares, em suas fases, toda a carga e densidade que lhes compõem (um exemplo disso é Bond e Vesper, personagens principais e de uma densidade dramática simplesmente incríveis). Bem amarrado, o roteiro deixa pontas soltas em locais exatos para que tenhamos uma continuação, mas sem nos deixar com a sensação de que perdemos algum detalhe da trama.
Junto com todas essas características ainda temos a direção segura de Martin Campbel (que dirigiu o primeiro filme de Bond com Pierce Brosnan). Com uma mão exata, que trás na densidade correta cenas de ação, de investigação e de pôquer (elemento chave do filme), Campbel trás a intesidade exata (mesmo que o filme, em seu final, pareça um pouco longo) para um filme que tem como premissa base contar a origem do mito que é 007. Além disso, ele trabalha excelentemente bem com cenas de ação espetaculares (como a perseguição a pé) e com os diálogos ácidos (como o entre Bond e Vesper em um trem). E, não podemos também deixar de dar crédito para a trilha sonora do filme, simplesmente incrível, exata em todos os instantes, que nos coloca dentro da ação e trás o tema clássico apenas no final do filme, acertadamente.
Cassino Royale é um início mais do que correto para Bond, colocando o personagem nos eixos, trazendo para nós um ator preocupado em explorar o lado denso do personagem e um roteiro com os pés no chão, graças a Deus. E, vida longa a James Bond!
Adolfo Brás Sunderhus Filho
28/12/2006
Enquanto não escrevo a crítica sobre Cassino Royale, deixo aqui um trailer, só pra deixar o gostinho desse que é o melhor filme já feito sobre o agente britânico.
Inspirado na revista em quadrinhos homônima de Frank Miller, esse filme promete invadir os cinemas no ano que vem com uma qualidade técnica simplesmente incrível, uma fotografia primorosa e cenas de batalhas nunca antes vistas no cinema mundial. Os trailers são de encher os olhos, e coloco-os abaixo para vocês.
Classificação: 4,5 (0 - 5)
Missão Impossível despontou como o James Bond do século XXI. Com um mega astro no elenco, baseado em uma série televisiva cultuada em boa parte do mundo, com ação ininterrupta e inteligente, apretechos tecnológicos de última geração, locações pelo mundo, mulheres bonitas e um tema musical impactante e que soa deliciosamente nos ouvidos. Além de tudo isso, ainda trazia uma proposta interessante: cada filme seria comandado por um diretor diferente, que aplicaria sua visão ao mundo e personagens da história. Promessa de renovação a cada filme, era o maior trunfo. Foi o calcanhar de aquiles. O primeiro, comando por Ridley Scott ("Gladiador") foi realmente muito bom. Excelentes seqüências de ação, atuações boas (levando-se em conta que era um simples filme de agente secreto - mas isso nunca impediu que Sean Connery trouxesse um Bond exuberante, mas não entremos no mérito). Mas o segundo, de John Woo ("A Outra Face"), que desastre. Pombas voando (a tal marca registrada de Woo), câmeras lentas em demasia e Tom Cruise com cabelo de propaganda de shampoo. Até o fã mais poderado reclamou. Então, convidaram J.J. Abrahms (do seriado "Lost"). Experiência no cinema até então? NULA! Mas tinha um sucesso no currículo: o cultuado seriado "Lost". Mas, será que ele teria no cinema a mesma desenvoltura e liberdade que na telinha? Depois de duas horas: SIM e NÃO.
Logo início somos apresentados a algo complicado. O filme começa de seu "quase" final. Saída banal para prender a atenção do espectador, mas que pode ser muito perigosa. Voltamos no tempo e somos reapresentados a um Ethan Hunt (sem cabelos esvoaçantes, graças a Deus!) aposentado do serviço de campo, trabalhando como professor e noivo! Agente secreto noivo (mais pra frente ele se casa). A última vez que vi isso foi em "True Lies", de James Cameron. Também somos apresentados a um contexto de enorme desconfiança interna na IMF. Mas... nem tudo são flores na vida de Joseph... ops... Ethan Hunt (hehe). Uma ex-aluna dele é descoberta em missão. Hunt é convidado a sair da aposentadoria para salvar tal moça, mas ela morre. Uma outra missão é dada a ele: tirar de circulação grande traficante cruel e sem coração (Phillipe Seymor-Hoffman). Nada de novo no roteiro? JUSTAMENTE! Abrahms resolveu assumir os clichês básicos desse tipo de filme e o baseou em cima da ação e do clima de "fim de mundo" constante. Engessou ele próprio, mas pelo menos não foi acometido pelos excessos que derrubaram "MI:II".
No elenco, algumas evoluções. Hunt voltou a ter as nuances do primeiro filme, mesmo continuando a ser um personagem pouquíssimo denso, mas que até ganha corpo, ao demonstrar amor verdadeiro e um tanto irracional, características aproveitadas pelo diretor e bem exploradas por Cruise. No papel de vilão, Hoffman traz uma atuação densa e complexa, fazendo com que o personagem, que nas mãos de um ator menos competente parecesse inofensivo a um super agente, pareça uma ameaça real e possível à vida de Ethan Hunt (mesmo não tendo músculos como ele). Vigh Raines, como o fiel escudeiro de Hunt, continua como o melhor personagem de todos. Divertidíssimo, sarcástico, irônico e aborrecido, é ele que traz as melhores falas do filme (perdendo apenas para Hoffman). Laurence Fishburne (a cada filme mais gordo) tem aquela atuação de sempre dele, burocrática e com poucos momentos inspirados (bem longe do que ele mostrou em "Corridas Clandestinas" ou "Matrix"). Aqui já começamos a ver a mão do criador de "Lost" operando, dando densidade, mesmo que pouca, a personagens aparentemente sem conteúdo algum.
Mas é lógico que o ponto algo de Missão Impossível III encontra-se na ação e sua parte técnica. Explosões, tiros, helicópteros, aviões, carros em perseguições e correria por suas estreitas. Tudo num ritmo frenético que nos deixa de olhos grudados na tela e com a respiração ofegante. Os efeitos visuais e sonoros estão ótimos, exatos para a ação mostrada. As câmeras frenéticas e que "seguem" (claramente vindo de "Lost") funcionam muito bem, dando um clima angustiante à ação.
Abranms salvou a franquia, colocando-a de volta aos trilhos. Hunt voltou a ser um personagem interessante (mesmo que não tenha o mesmo charme de antes, a idade começa a pesar). Agora é aguardar para saber o que acontecerá em um próximo filme, que já está quase certo que não contará com Cruise no elenco.
Adolfo Brás Sunderhus Filho
17/11/2006
Classificação: 4,5 (0 - 5)
Filmes inteligentes e com reviravoltas críveis não são fáceis de serem feitos. Construir um roteiro bem amarrado e com pouco furos, quando o assunto são filmes desse tipo, é algo raro. Contudo, vemos alguns bons exemplares de filmes desse tipo hoje em dia. Caos é, ao lado de "O Grande Truque", o exemplo mais recente.
Estrelado por aquele que considero ser o novo Bruce Willis do cinema (um pouco mais canastrão, um pouco menos charmoso, igualmente careca), Jason Staton, tendo ao seu lado Ryan Phillipe e Wesley Snipes, já podemos concluir que o forte aqui não são as atuações, mas sim o roteiro. Realmente, o que mais chama a atenção é o roteiro. Após ser afastado da polícia devido a morte da sobrinha ou filha de um figurão da política local, o personagem de Staton é reintegrado às pressas, devido as exigências de um assaltante de bancos. Servindo como babá de Staton está Ryan Phillipe (filho de um "herói" da polícia que resolveu seguir os passos do pai). Banal e bem clichê, não é mesmo? Pois bem, acaba aí a superficialidade do roteiro. Depois de quinze minutos de clichês e "previsibilidades" as coisas, aparentemente, saem dos eixos e entramos naquele clima gosto de filme "quebra-cabeça". O desenrolar do filme segue bem aquele esquema "nada é o que parece, ou é!", com um roteiro que vai até seus últimos instantes com todas as pontas soltas e que, em três minutos, tudo se amarra. Mas, pensando bem, até que podemos elogiar os atores.
Staton está como o de sempre (como Willis em início de carreira e até hoje). As mesmas expressões, as mesmas entonações de todos os seus filmes anteriores. Mas, sabe, dá gosto de ver ele fazendo tal papel. Talvez ele seja o ator de um personagem só, mas o faz com uma naturalidade e com uma desenvoltura tão grande que até acreditamos que ele saiba atuar. Phillipe faz o típico novato promissor filho de herói (mas nos traz, em conjunto com Stanton, os três melhores momentos do filme, um numa lanchonete, outro num quarto de hospital e o último em um aeroporto). E Snipes, capítulo a parte. A canastrice dele está quase tão intensa quanto em "Blade Trinity" (só faltou o "cuti-cuti"), mas, ao contrário do filme dos vampiros, aqui o canastrão Snipes diverte e mostra o quanto está se divertindo vivendo seu personagem (ao contrário do terceiro Blade, onde para que ele está aborrecido fazendo o filme - mas até eu estaria fazendo tamanha bomba!).
Caos é mais um daqueles filmes que você olha na estante da locadora e pensa: "Tá aí... bom filme para ver comendo pipoca e bebendo refrigerante!" e, quando chega no final, a pipoca já esfriou e o refrigerante está quente.
Adolfo Brás Sunderhus Filho
17/11/2006
Classificação: 4.6 (0 - 5)
Qual o grande segredo de um número de mágica? Onde que os mágicos medíocres e os mágicos realmente bons se diferem? O que faz com que o impossível se torne crível? Que o fantástico pareça tangível, sem perder seu caráter de fantasia? E, pergunta principal: Após conseguirmos as respostas para esses questionamentos, a mágica permanece?
Dirigido por Christopher Nolan (Batman Begins) e escrito por ele e seu irmão - Jonathan Nolan (que também colaborou com Nolan na escrita do roteiro de Amnésia), O Grande Truque é baseado na graphic novel The Prestige (a grande onda do cinema hoje, ao lado de remakes de filmes asiáticos, é basear filmes em quadrinhos). Infelizmente, não tive a oportunidade de ler tal revista, mas, após ver o filme, ela já se encontra em minha lista de futuras aquisições. Nolan dirige o filme com sua mão habitual e leva o roteiro de forma (permitam-me) mágica até bem próximo do final. Com um roteiro bem amarrado, os irmãos conseguem tornar uma idéia que fica bem em cima da linha tênue entre o acerto e o desastre em uma obra consistente e quase perfeita.
O Grande Truque conta a história de competição a qualquer custo entre dois mágicos ingleses em busca do maior de todos os truques. Como os dois mágicos temos Christian Bale (Batman Begins) e Hugh "Wolvie" Jackman (X-Men 3). Bale dispensa comentários. Interpretando um personagem de descarada "dupla personalidade", Alfred Borden se mostra complexo e denso, bem no estilo que Bale gosta de fazer. Robert Angier, personagem de "Wolvie", também apresenta uma complexidade interessante e uma densidade crescente até melhor que a de Borden, mas é uma pena que seja mal aproveitado por seu intérprete (fico imaginando o que um ator como Matthew McConaughey ou Ethan Hawke teriam feito com tal material em mãos).
O elenco de apoio também tem suas contribuições, lógicamente. A leveza, e ao mesmo tempo a dureza que o personagem de Michael Caine (Batman Begins) traz ao filme é muito bem vinda (e, sinceramente, como dá gosto de ver Caine em cena!). Rebecca Hall, interpretando a esposa de Borden também nos traz uma atuação precisa e belíssima. Mas, o que chama a atenção é David Bowie (Labirinto). Convidado para fazer Nikola Tesla, sua interpretação é impresionantemente densa, exata e de encher os olhos, roubando a cena nos poucos momentos em que aparece. Mas, assim como nos principais, os coadjuvantes tem seu "calcanhar de aquiles", Scarlett Johansson (A Dália Negra). Por tudo que vi no filme, sua presença só se justifica pela beleza estonteante (e isso realmente ela tem!) que ela tem, pois qualquer atriz faria o que ela fez (que era aparecer linda em espartilhos).
Na parte técnica do filme, não há do que se reclamar (talvez, só por dois cortes incômodos, onde ficou clara a edição e corte de cenas que poderemos ver em extras vindouros no DVD). Toda a construção dos cenários, de época, de clima, a fotografia e os efeitos só contribuem para a construção do ambiente, e não estão ali apenas por estar. Isso já está se tornando quase que uma marca registrada de Nolan (vide o cuidado igualmente exagerado que ele teve em Batman Begins).
O Grande Truque responde a todas as perguntas feitas no primeiro parágrafo, incluindo a última. E, é justamente ao responder essas perguntas, que seu roteiro perde um pouco da carga e a história soa simples. Mas, com todas as perguntas respondidas, a conclusão é sim incômoda, mas não menos interessante.
Adolfo Brás Sunderhus Filho
12/11/2006
X-Men - O Confronto Final
Classificação: 4.6 (0 - 5)
Depois de um começo apenas mediano, e uma seqüência espetacular, muita expectativa foi criada em torno desse terceiro filme da franquia X-Men. Anunciada desde o início da produção como o capítulo de encerramento da saga iniciada no primeiro filme, X3 (como popularmente foi chamada a produção) trazi em si muito peso prévio, algo que nem sempre é bom para um filme. Se não bastasse isso tudo, ainda houve problemas de antes e durante a produção do filme. Halle Berry exigindo mais espaço para sua personagem, caso o contrário não retornaria como Tempestade, Jamas Marsden se envolvendo simultaneamente em Superman - O Retorno. Roteiros sendo constantemente re-escritos. Diretor largando o barco no meio do caminho e outro pegando o bonde andando. Mutantes em profusão surgindo nas notícias, e uma duração de 93 minutos apenas. Tudo isso fazia com que o filme fosse visto com olhos exageradamente desconfiados pelos fãs da cinessérie e dos quadrinhos que dão base aos filmes. O resultado final foi um filme no mais puro estilo "Ame ou odeie". Já deixo claro, antes de tudo, que eu me encaixo nos que amarão o filme.
Logo no início somos jogados em uma cena vinte anos no passado. Vemos Charles Xavier e Magneto incrivelmente rejuvenescidos por meio dos incríveis efeitos especiais que temos hoje em dia (desse jeito, atores jovens estão perdidos, afinal de contas, é muito melhor contar com um Gene Hackman ou um Dustin Hoffman rejuvenescido do que com atores como Mark Walgbergh, não é mesmo?) indo ao encontro de uma Jean Grey adolescente e com os poderes começando a se mostrar e criando assombro. Depois, somos levados dez anos para frente, e vemos um jovem garoto desesperado tentando esconder sua marca mutante de qualquer forma, mesmo que isso venha a ferí-lo, em uma das cenas mais tocantes do filme. Logo em seguida, estamos em "um futuro não muito distante" e vemos nossos heróis em combate, com explosões e raios para todos os lados, numa movimentação alucinada, que permanece por quase todo o filme em diante. Uma "cura" é encontrada para os mutantes, e a discussão começa.
Um clima de guerra eminente está presente durante todo o filme. As cenas são fortes, as falas são duras, as atuações são marcantes (exceto por Halle Berry, a qual ainda não me convenceu como atriz). Vemos um Ciclope amargurado e exaurido pela morte da esposa. Vemos um Charles Xavier ciente de seu destino. Um Magneto extremista e sem pena. Uma Fênix demoníaca e cruel. Um Wolverine completamente afetado por tudo que acontece em seu redor e que até demonstra sentimentos (algo que deixou muitos "xiitas" nervosos, mas que não vejo como um grande problema e até vejo como algo interessante). As dezenas de mutantes que aparecem de uma hora pra outra, deixando claro que os seres com poderes não se restringem a escola de Xaviver ou a irmandade de Magneto, mas que existem outros sim, e que eles vivem em sociedade organizada. O clima de pavor, de auto-preconceito, de assombro também está ali, a cada segundo dos 93 minutos do filme. Não temos tempo de respirar, levantar para ir ao banheiro então, nem em sonho.
Outra coisa a se elogiar nesse filme é o clima mais do que claro de quadrinhos presente nele. A utilização dos poderes da grande maioria dos personagens em sua potência máxima, a presença da Fênix, a forma como são feitos os diálogos, rápidos, claros e objetivos. E a magnífica cena da ponte são uma homenagem mais do que clara e gostosa aos quadrinhos, que deixa qualquer fã de HQ's mais do que feliz.
Passando para partes menos entusiasmadas, e falando das minhas poucas decepções, já começo por Halle Berry. Ela tanto brigou que Tempestade tivesse uma maior participação nesse terceiro filme e o que vemos é uma atuação de sua parte completamente pífia, ridícula. Ainda me pergunto o que faz com Berry um prêmio internacional de melhor atriz. Outra decepção de minha parte diz respeito as cenas de vôo que vemos no filme, principalmente as do personagem Anjo. Feias, esquisitas, completamente falsas. Acho que faltou a produção o tempo necessário para estudar a fundo como as aves voam para que algo mais convincente fosse feito. No resto, sem mais reclamações.
Ao meu ver, é um filme corajoso, forte, impactante e quase estupendo. Melhor que os dois primeiros, ao meu ver, sem sombra de dúvidas. Pena que sou um dos poucos que pensa isso.
Adolfo Brás Sunderhus Filho
06/07/2006
Classificação: 5 (0 - 5)
Alguns filmes entram para história do cinema por sua qualidade técnica, por seu roteiro bem amarrado, por atuações primorosas ou por suas cenas de ação incrívelmente bem feitas. Já alguns, poucos, conseguem entrar para a lista dos melhores por ter uma qualidade que pode ser muito perigosa para o seu desempenho de bilheteria e que pode ocasionar até uma série de perseguições contra seus autores. Ainda é cedo para dizermos se V de Vingança, de James McTeigue será um filme que entrará para a história, mas o caráter crítico de seu roteiro é algo simplesmente impressionante e que o coloca como um dos filmes mais corajosos que já foram feitos no cinema.
Ambientado em uma Londres futurista dominada por um regime totalitário que chega a fazer inveja às ditaduras árabes ou aos governos militares que tivemos em nosso Brasil, V de Vingança nos conta a história de um terrorista que tem como objetivo derrubar o governo insano que toma conta de seu país. Arquitetando explosões grandiosas, ataques a monumentos públicos e invasões à rede de TV "estatal", V, como se auto-denomina o terrorista, vai conseguindo, aos poucos, desestruturar um regime que amedrontava a população e faz com que o povo sob o julgo dos ditadores se coloquem para pensar no porque das coisas, até se envolverem de forma incrível no final apoteótico e maravilhoso que o filme nos traz.
Com uma interpretação primorosa por parte de Hugo Weaving (que já foi o "Agente Smith" e o elfo "Elrond", além de uma dragqueen em "Priscila - A Rainha do Deserto), que tem sua atuação limita apenas pela entonação de voz, dado que seu personagem passa o filme inteiro utilizando uma máscara de uma feição só. Weaving mostra-se como um dos melhores atores de sua geração, tem uma presença de cena simplesmente incrível mesmo interpretando um personagem apenas pela voz. Outro que pode ter sua atuação elogiada é John Hurt, que faz o ditador que comando a Londres futurista, nos trazendo um visão muito interessante do quanto o poder e o fundamentalismo religioso pode transformar alguém em um completo insano e o perigo que governantes que pregam tanto os valores religiosos e que se baseiam em discursos de libertação podem ser perigosos para a população de qualquer país (é bom lembrarmos que o país no qual o filme se passa é a Inglaterra, que sempre se gaba de sua inteligência e consciência política). Natalie Portman, mesmo que eu não seja um grande fã de tal atriz, mostra-se competente em sua interpretação, trazendo de forma correta e comedida (algo bom no personagem dela, uma vez que o processo de transformação pelo qual passa o personagem poderia fazer com que outra atriz se mostrasse exagerada e tentasse se tornar uma "Mulher-Maravilha") sua personagem chega ao final demonstrando de forma exata, em poucos palavras e feições o que é necessário para que o espectador entenda a mensagem do filme. Os outros atores completam o elenco com atuações exatas, não primorosas, mas que trazem para nós o que é necessário (como o policial que se mostra enfastiado pelo falatório do sistema, ou o produtor e apresentador de TV um tanto quanto suspeito).
Técnicamente o filme mostrasse correto e exato. Poucos efeitos especiais sendo utilizados (mas eles lá se encontram, uma vez que fica cada vez mais raro se ter um filme sem que os CGI's estejam lá), mas utilizados com precisão e necessidade (exceto na cena em que vemos uma varíavel do "bullet-time" de Matrix, algo que poderia muito bem ser retirado do filme, uma vez que efeitos desse tipo já cansaram e parecem excessivamente datados). O clima a todo tempo soturno condiz com o tom claustrofóbico do filme e faz com que nos insiremos ainda mais dentro da história ali mostrada pelo roteiro muito bem amarrado e primorosamente adaptado da obra do mestre dos quadrinhos, Alan Moore (que, estando escaldo pelos desastres de "Do Inferno" e "A Liga Extraordinária", criticou essa adaptação de sua obra antes mesmo que ela estivesse completa). E, aqui cabe um adendo. Como em todo filme que se baseia em uma obra, sejam livros, revistas em quadrinhos ou o que seja, V de Vingança toma liberdades, que muitos podem torcer o nariz para elas, mas que no caso desse filme, se mostram necessárias para atualizar o contexto da história e para aproximá-la do espectador o qual ela se propõem, que muitas vezes nem tem paciência ou costume de ler quadrinhos.
E, mora justamente no roteiro do filme seu maior trunfo. Uma história muito bem escrita, muito bem amarrada e que, em conjunto com a direção segura de James McTeigue faz com que o espectador permaneça num estado de tensão tão grande quanto o vivido pelos personagens do filme. Adaptado da obra homônima de Alan Moore pelos criadores do mundo de Matrix, o grande medo que se tinha é que esse filme se tornasse excessivamente tecnológico e "marketeiro" e que a construção da história se colocasse em segundo plano frente aos efeitos especiais (algo que acabou ocorrendo com a trilogia de Neo). Muito pelo contrário, a todo momento temos a nítida sensação de que o roteiro comanda todas as ações vistas e todas as cenas tem seu motivo para lá estarem, não soando como pontas soltas dentro da história do filme. Com um teor crítico assustadoramente atual, o roteiro mostrasse uma verdadeira bomba-relógio (não no sentido ruim, que isso fique logo claro). A cada frase, a cada cena, a todo instante está lá o tom crítico, o caráter conspiratório. As frases são secas e violentas contra todos, inclusive os Estados Unidos da América. Dentro de suas falhas e acertos, V de Vingança mostra-se um filme incrivelmente bem escrito e elaborado.
A nota é máxima sim, pois ao meu ver, mesmo tendo falhas, o filme é perfeito em sua essência. Paradoxal isso? Sem dúvida alguma. Mas há algo mais paradoxal do que se utilizar do terror (como faz George W. Bush) para combater o terror?
Adolfo Brás Sunderhus Filho
18/05/2006